O assunto de hoje será sobre um problema que acomete cerca de 40% das crianças normais e que pode ser ou não maligno, se chama linfadenopatia.

Para melhor entender essa situação, linfadenopatia, é preciso conhecer um pouquinho sobre o corpo humano. Constituímos de vários sistemas (sistema digestório, sistema neurológico, etc) que possuem uma finalidade diferente a fim de manter o corpo em equilíbrio, ou seja, saudável. Um deles é o sistema imunológico: nele há diversas células capazes de nos defender (glóbulos brancos ou células de defesa) de algum corpo estranho (bactéria, por exemplo) para que nosso corpo não sofra tanto com sua entrada não permitida. Tais células de defesa podem estar circulando no sangue ou concentradas nos chamados linfonodos ou gânglios linfáticos, estes que estão distribuídos por todo o nosso corpo de maneira estratégica e que entram em ação quando algum agente agressor entra em contato conosco.

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Quando os linfonodos, na área do pescoço, estão com mais de 1 cm de diâmetro, portanto, palpáveis, é considerado linfadenopatia cervical. Na grande maioria das vezes, tal inchaço se deve a processos inflamatórios locais ou sistêmicos benignos que são causados pela multiplicação de células de defesa localizadas dentro de tais linfonodos ou pela infiltração de outros tipos de células que estão pelo corpo. Entretanto, se a célula que veio de fora do linfonodo for uma célula maligna, então poderá ser diagnosticado um câncer.

Ambos diagnósticos, benigno ou maligno, poderão acometer outras partes do corpo. Estes aumentos podem acontecer em linfonodos superficiais ou profundos, mucosas da boca e do nariz poderão ser comprometidas; e, se o aumento for profundo – o que acontece geralmente em casos malignos, estruturas da orelha e da faringe poderão se envolver, podendo causar danos à criança.

Para detectar tal problema é preciso a avaliação detalhada do médico. O diagnóstico se dará então pela análise física dos nódulos linfáticos (para saber se são locais ou estão pelo corpo inteiro da criança; qual a medida, entre outros); pelo conhecimento de sintomas como febre e tosse; por algum sinal anterior que indique a causa ou seja o fator determinante para o diagnóstico da linfadenopatia, como arranhadura de gato, imunização (reação natural do corpo pela entrada de vacinas) e exposição da criança à pessoas com infecção no trato respiratório, como a tuberculose; ou até mesmo pelo leucograma feito por um exame de sangue, radiografia e ultrassonografia que pode mostrar detalhes importantes dos linfonodos cervicais. A partir da análise destes exames e de outros fatores, pode ser necessária uma biópsia do linfonodo para confirmar a causa do aumento deste linfonodo. O médico poderá tratar a criança da forma mais apropriada ou encaminhá-la para um cirurgião de cabeça e pescoço, caso a linfadenopatia exija cuidados que vão além de sua especialização médica em pediatria.

Referências Bibliográficas:

http://files.bvs.br/upload/S/1983-2451/2010/v35n3/a1689
https://drauziovarella.com.br/entrevistas-2/linfomas/